Jogos Olímpicos – O poder do Esporte

Os grandiosos Jogos Olímpicos tem audiência de aproximadamente 3,5 bilhões de espectadores e movimentam bilhões de dólares. Eu sempre acompanhei e me envolvi, desde a dura derrota no futebol masculino para a Nigéria na Olimpíada de 96, passando pelo histórico ouro no vôlei feminino em 2012, até o Maracanã lotado em 2016 no aguardo do penal decisivo de Neymar (e o “título” que faltava para a seleção masculina de futebol). No colégio, além de amar as aulas de educação física, esperava ansiosamente as Olimpíadas Interclasses. Vivia intensamente o “momento olímpico”, que era o auge do meu ano.

E o maior evento esportivo bate à porta, com um ano de atraso, mas com a certeza de renovação de energias e esperanças neste momento turbulento em que vive o mundo. A XXXII Olímpiada e a XVI Paralimpíada serão realizadas entre os dias 23 de Julho e 5 de Setembro de 2021. Aproximadamente 15 mil atletas representarão 204 países em mais de 50 modalidades.

A origem dos jogos é cheia de lendas e mistérios, acredita-se que a primeira semente olímpica foi plantada 2500 anos atrás pelos gregos, com eventos esportivos festivos em homenagem a Zeus. Entretanto, os primeiros registros datam de 776 a.C., ano em que o nome “Olimpíadas” surgiu, após uma aliança entre reis no templo de Hera, localizado no santuário de Olímpia. Desde essa época, o esporte já demonstrava sua força.

O acordo institui que, durante os jogos, haverá trégua nas guerras e disputas pelo poder, sagradas em toda a Grécia. E foi de fato seguida à risca, durante a Guerra do Poloponeso (conflito entre Atenas e Esparta entre 431 e 404 a.C.) os combatentes deixaram as desavenças de lado para participar da competição. Com a invasão dos romanos em 456 a.C. os jogos foram perdendo força e a “Era Antiga” da competição durou até 393 a.C., com incríveis 293 edições. Cerca de 1500 anos depois, o pedagogo e historiador francês Charles Freddye Pierre, motivado a propagar o esporte como forma de união entre os povos, criou o Comitê Olímpico Internacional, que até hoje controla o universo olímpico. O ano de 1896 ficou marcado como o início dos Jogos Olímpicos na Era Moderna. Desde então, os Jogos só não aconteceram em 3 oportunidades, devido às guerras mundiais.

É difícil não se envolver com as Olimpíadas, mesmo se você não for um aficionado por esportes. Os atletas representam sua pátria e se preparam toda a vida por aquele momento, que pode durar segundos e ser decidido por milésimos de segundos. O caminho para uma medalha e até mesmo uma participação é sem dúvidas composto por glórias, fracassos, frustrações, superações, planejamento, resiliência, respeito, disciplina, dentre outros. Os percalços vividos no dia-a-dia de qualquer cidadão comum. Porém, os atletas acabam se tornando super-heróis para a população em geral. 

Não só pela importância da união dos povos e nações, as Olimpíadas podem mudar para sempre a história das cidades-sede. Cito os casos de Barcelona, que foi totalmente remodelada para os jogos de 1992 e se tornou um dos destinos turísticos mais cobiçados do planeta e de Sidney, que teve parceria do Greenpeace (ONG focada especialmente em pautas relacionadas ao meio ambiente) na organização do evento em 2000, sobretudo na construção da Vila Olímpica, que pós jogos tornou-se uma área residencial e comercial e é considerado um dos maiores bairros com energia solar do planeta.

Nelson Mandela foi categórico durante o seu discurso no prêmio Laureus em 2000: “O esporte tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar. Tem o poder de unir as pessoas de uma maneira que poucas outras coisas são capazes. O esporte consegue despertar esperança onde antes só havia desespero. O esporte tem mais poder que os governos para romper barreiras raciais. Despreza todos tipos de discriminação...”. Os Jogos Olímpicos são o momento magno desse poder, ali todos são um só e a paz é soberana.

Que seja mais uma Olimpíada recheada de grandes momentos e de grandes lições. O mundo agradecerá!

Até mais…um abraço!