Atleta Profissional

Sempre que sou indagado a respeito da minha ocupação, em uma conversa informal ou ao preencher um cadastro qualquer, sou taxativo ao afirmar: “atleta profissional”. Não objetivo considerar-me superior a ninguém, mas sei que é uma preciosa oportunidade para destruir a odeia de que “aquele cara só joga bola e ainda ganha (dinheiro) pra isso”. É preciso, de alguma forma, mudar a mentalidade das pessoas que pouco ou nada sabem sobre a realidade dos profissionais que vivem do esporte, os quais, não bastasse terem que se habituar a peculiaridades inerentes à atividade que empreendem, são obrigados a engolir em seco o desdém e o desprezo de muita gente.

Antes de começar a desenvolver o tema, gostaria de esclarecer que este não é um desabafo e não há nada em especial que me motive a efetuar cobranças públicas por situações específicas. Estou usando este espaço para tentar trazer a você, leitor(a), a visão de alguém que está do outro lado da história e poucas vezes tem a oportunidade de se expressar e ser devidamente ouvido.

Desde que tomei a decisão de lutar pela realização do meu sonho de infância, estabeleci como fonte de motivação nos momentos de desânimo o que foi dito por Confúcio: “Escolha um trabalho que você ama e você não terá que trabalhar um dia sequer na sua vida”. Para voltar ao equilíbrio psicológico e me reerguer dos momentos de tristeza e frustração, aprendi a eliminar a crença de que o meu trabalho é um fardo, e voltar à essência da alegria e do prazer que me conduzem no dia a dia a fazer o que eu amo.

Foi celebrado no último dia 10 de fevereiro o Dia do Atleta Profissional, o que me fez refletir durante todo o dia sobre o que é ser, de fato, um membro desta classe.

Não tenho interesse em me alongar sobre como é o dia de um atleta profissional, mas invariavelmente, nada é feito por ele sem que faça uma análise das possíveis consequências diretas que enfrentará, afinal sabe que o seu corpo o lembrará e o cobrará se cometer algum deslize. Por isso, seu turno de trabalho inicia-se quando ele abre os olhos e não termina mais, uma vez que o sono é primordial para que no dia seguinte ele esteja apto para buscar a excelência no treinamento. Ele precisa se atentar a questões como hidratação, alimentação, manutenção do tratamento de dores e desequilíbrios físicos, psicoterapia, e muitos outros.

Ser atleta profissional não é simplesmente jogar bola, aparecer na televisão, ser popular no Instagram; antes disso, é abrir mão de finais de semana de descanso, do convívio com a família, da presença em eventos importantes, como nascimentos, aniversários, velórios etc.

Concordo que são ossos do ofício e tudo é feito em prol de um bem maior. Entretanto, não há como deixar passar batido que merecemos, bem como qualquer outro profissional, valor pelo que exercemos como fonte de sustento. Nossa vida vai além do que fazemos em campo, somos seres humanos com sonhos, ideais, desejos, valores, dores, histórias, família. Não aceitamos hostilização, apedrejamento, humilhação pública, agressão quando não somos bem-sucedidos, da mesma forma que não queremos ser endeusados ao levantarmos um troféu. Afinal, ganhar ou perder também faz parte do processo.

Clamo apenas por mais respeito e reitero o orgulho que sinto por ser atleta profissional de futebol! E assim falo por todos que assim também se consideram, afinal este texto tem muitos autores.