O grande desafio

7 de março de 2018, o dia que mudou a minha vida…

Lembro como se fosse hoje da notícia que recebi do meu treinador do Palmeiras, algo totalmente inesperado, mas ainda assim, que eu havia desejado desde criança: jogar na Seleção Brasileira de Futsal. O mais surpreendente de tudo foi que, a seleção que fosse campeã do Campeonato Sul-Americano, garantiria a vaga nos Jogos Olímpicos da Juventude, algo nunca visto na história do futsal brasileiro. Confesso que foi o dia mais feliz da minha vida, a ficha ainda não tinha caído e demorou um pouco para eu conseguir processar tudo aquilo.

Eu já havia sido convocado no ano anterior para uma semana de treinamentos com a Seleção Brasileira na cidade de Cuiabá (MT), mas nada se compara a vestir a amarelinha em uma competição. O campeonato foi realizado no Paraguai, mais precisamente na cidade de Assunção.

O nosso primeiro confronto foi contra a seleção do Uruguai, e não fizemos a estreia que planejávamos, pois acabamos perdendo o jogo. Após essa derrota, fomos ao hotel e reunimos todos os atletas em um dos quartos e realizamos uma conversa apenas com os jogadores, em que o tema era entendermos o porquê tínhamos sido os 15 escolhidos para representar o nosso país naquela competição.

Dito e feito: no dia seguinte teríamos que enfrentar a seleção do Peru e, com uma nova postura, entramos em quadra com um único objetivo “arrasar com os caras”, e foi com essa nova atitude que garantimos a nossa primeira vitória no campeonato. Depois de enfrentarmos a seleção peruana, jogamos contra a equipe do Chile; esse jogo me marcou muito devido a vitória com o placar elástico de 24×0, além de eu ter feito o meu primeiro gol com a camisa canarinho.

A primeira fase do campeonato já havia sido encerrada e a nossa seleção já estava classificada para as quartas de final. Soubemos que jogaríamos contra a Venezuela, que até então era a seleção com a melhor campanha do campeonato, mas sabíamos do nosso potencial e do peso que a camisa do Brasil tinha dentro do esporte. Dessa forma, soubemos usar essa tamanha grandeza dentro da quadra; o jogo foi controlado da melhor maneira possível e conseguimos o resultado positivo contra a Venezuela, 8×1 no final.

Com o ótimo desempenho contra a Venezuela, chegamos à semifinal do campeonato confiantes e certos de que nenhuma seleção iria nos abalar. A noite do dia 28 de março foi muito especial para mim pois em um jogo muito difícil, que foi resolvido nas penalidades máximas, eu tive o privilégio de converter o pênalti que nos levaria a final do campeonato.

Conseguimos o nosso objetivo: chegar na final do Campeonato Sul-Americano. Enfrentamos naquela final a Argentina, os “hermanos”, um clássico, um duelo que vai além das quatro linhas e a maior rivalidade futebolística do mundo. Foi com o espírito vencedor que jogamos e felizmente ganhamos a final do campeonato – o placar foi acirrado, 3×2, e o melhor de tudo foi ter garantido a vaga para os Jogos Olímpicos da Juventude, que aconteceria em outubro, na Argentina. Seria a primeira vez na história do futsal brasileiro que a Seleção viria a participar desse Torneio mundial.

Dois anos depois de tudo isso, aqui estou, honrado em receber esse espaço para trazer minhas opiniões sobre o futsal, um esporte que eu amo tanto. Hoje, se eu pudesse dar um conselho para o meu Eu de 7 anos e todas as outras crianças e jovens que desejam ser jogadores, seria para nunca desistir dos seus sonhos e batalhar muito para fazer acontecer. Claro que a jornada não é fácil, mas saber que você está cumprindo sua missão de vida é um sentimento muito especial.