Mundial de Clubes

Passado, presente e qual o seu futuro?

Olá caros leitores!

Vencer o Mundial de Clubes é a ambição de todas as equipes do planeta! Ou quase todas, já que o objetivo maior das equipes europeias é conquistar a famosa “Orelhuda”, taça da Champions League.

O Mundial de Clubes, chamado de Copa Intercontinental até 2004, teve sua primeira edição em 1960 e era organizado pela Conmebol e UEFA. Houve grandes duelos envolvendo os polos do futebol mundial – América do Sul e Europa – e a participação de lendas como Pelé e Eusébio. Com jogos de ida e volta, o campeão era aquele que somava mais pontos, sem levar em consideração o saldo de gols. Em caso de empate nos pontos, disputava-se um jogo extra (no continente onde havia sido jogada a segunda partida).

Em 1967/68, o torneio começou a ser questionado devido a extrema violência e falta de segurança envolvendo os duelos entre os argentinos Racing e Estudiantes e os britânicos Celtic e Manchester United.

No fim dos anos 60, os ingleses se recusaram a participar da competição, que perdeu força, e nos anos 70 chegou perto do fim. Em duas oportunidades não ocorreu e por cinco vezes os campeões europeus preferiram não disputá-la. Em seus lugares foram enviados os vice-campeões do “velho continente”.

Impulsionado pela parceria com a Toyota, o torneio teve grande sucesso nos anos 80 e 90, contando com jogos memoráveis. Foi criado um novo sistema, de jogo único, disputado no Japão e com vasta cobertura midiática (minimizando a violência e hostilidade dos sul-americanos).

Também aconteceu o retorno das equipes campeãs da Europa (obrigadas por contrato a disputar o torneio internacional), que, mesmo diante das melhorias, não davam o valor merecido a competição, tratando-a certas vezes como “amistoso de luxo”.

Em 2000, 40 anos após a primeira Copa Intercontinental, a FIFA decidiu criar o seu próprio torneio. Com o crescimento exponencial do futebol, nada mais justo do que ofertar a possibilidade de participação para todas as equipes filiadas à entidade máxima.

Na primeira edição, em 2000, as equipes europeias continuaram minimizando a importância da taça. Roberto Carlos, lateral do Real Madrid, falou à ESPN Brasil que muitos jogadores do seu time encaravam a vinda ao Brasil (local da competição em 2000) como lazer.

O objetivo da FIFA era continuar com o Mundial nesses moldes, porém a quebra da parceria com a empresa patrocinadora impossibilitou esse desejo, e o “velho mundial” continuou a ser disputado até 2005, quando a FIFA assumiu de vez e conseguiu dar sequência à competição.

Em 15 edições ininterruptas do Mundial de Clubes da FIFA, as equipes da Europa chegaram a todas as finais e sagraram-se campeãs em 12 oportunidades, os sul-americanos, por sua vez, levaram 3 troféus e em 4 oportunidades sequer foram ao jogo final.
O duelo equilibrado de outrora, virou uma hegemonia para os europeus e a facilidade com que esses clubes ganham a taça é um dos maiores “problemas” da competição.

Para os “Davis” do mundo, vencer “Golias” é um sonho, uma obsessão, mas para os “Golias”, bater os “Davis” não tem sido uma tarefa complicada. Eles detêm os melhores jogadores, as melhores ligas, os melhores treinadores e o poderio financeiro.

A FIFA está se movimentando para criar um torneio mais atrativo, como realizar o certame de 4 em 4 anos e acrescer o número de equipes. Como de costume, as equipes europeias já se mobilizaram e fizeram uma ameaça oficial de boicote ao novo formato.

Acredito que uma boa estratégia seria levar os campeões e vice-campeões das ligas continentais mais bem ranqueadas – no cenário atual, a Champions League e Libertadores – colocando os vice-campeões na fase das quartas-de-final e os campeões diretamente nas semis.

Além disso, manter o torneio anualmente, diversificar os países-sede e aumentar a premiação (em 2019 o Liverpool faturou 5 milhões de Euros no Mundial, pelo título europeu arrecadou 4 vezes esse valor). Ainda, potencializar a internacionalização das equipes e ligas junto às Confederações, fortalecendo as marcas e gerando valor às esquadras ao redor do globo.

Um passado de jogos lendários, boicotes, e certo desprezo, um presente de supremacia. Quem sabe um futuro de desejo e valorização? Afinal, nada pode ser maior do que conquistar o MUNDO.

Até mais…

Um abraço!