Jorge Jesus foi um acaso

O futebol brasileiro não está preparado para ter Carvalhal

O Brasil é o maior vencedor de Copas do Mundo e o maior exportador de talentos para todo o mundo. É indiscutivelmente a nação com a maior tradição da modalidade. Sendo assim, seria somente a menor competitividade financeira a razão de treinadores europeus seguirem outros caminhos?

Recentemente, antes de sair do Flamengo, Jorge Jesus concedeu entrevista a uma emissora portuguesa e foi questionado quanto aos motivos de ter escolhido o Brasil. Em sua resposta, argumentou a confiança em seu trabalho e no grupo de jogadores que teria à disposição. Ressaltou a tradição brasileira no futebol, o tamanho do Flamengo, entre outros aspectos. Entretanto, um fato chamou atenção: na mesma fala, Jesus relatou que seu agente e sua comissão técnica, foram contra a decisão. Dentre os motivos, um citado por ele foi da volatilidade do comando técnico no Brasil, aonde troca-se de profissional a cada quatro meses. Jesus sabia que deveria vir para ganhar no curto prazo. Como todos sabem, foi um sucesso! Mas, esta não é a regra.

Agora, Carlos Carvalhal, após conseguir feito inédito frente ao Rio Ave, em um momento diferente de Jesus, na qual não estava muito aceito em Portugal, resolve, aparentemente, negar o convite.

Mas, porque o Brasil não é um mercado atrativo? Porque Carvalhal não levou o convite como uma de suas prioridades?
Infelizmente, o país do futebol está ainda aquém em sua organização. O calendário, os deslocamentos, a pressão exacerbada, entre outros fatores, depõe contra qualquer convite. São necessários muitos argumentos para convencer um treinador do cacife de Carvalhal a vir para o Brasil.

A nossa liga não é atraente ao ponto de competir o convite com outras e nossos clubes não são vitrines para gigantes europeus (exceto atletas), que sabemos que são limitados a dois ou três por ligas. Fazer uma boa campanha com um clube menor na Premier League ou de médio porte em Portugal o levará a alçar voos muito maiores.

A CBF tem melhorado e se esforçado para valorizar o futebol brasileiro. Entretanto, enquanto tivermos um calendário em que seja necessário atuar com muita rotatividade do elenco e tivermos um turnover grande de treinadores, não chegaremos lá!

Em um programa do FutClass, no YouTube, o próprio Carvalhal pontuou que, no contexto brasileiro, as decisões se tornam emergentes e impede um planeamento de longo prazo.

Nossos adeptos, nossa imprensa e os stakeholders do futebol brasileiro não compreendem a necessidade do tempo na construção de um jogar. Às vezes, há discursos nesse sentido, mas a prática destoa.

Vamos aguardar e continuar trabalhando para que em futuro próximo, Carlos Carvalhal e outros treinadores europeus, analisem com outros olhos um convite brasileiro, algo que realmente tenha um peso em sua decisão.