Jogo interior (jogo das emoções)

Timothy Gallwey é o autor de uma série de livros e criador do termo “jogo interior/jogo interno” (jogo das emoções), pelos quais ele estabeleceu uma nova metodologia de desenvolvimento da excelência profissional (coaching).

A descoberta desse jogo interior parte da premissa que é possível aprimorar o processo de aprendizado dentro do que desperta a sua atenção e interesse pelo jogo, pois tentar interpretar o que se passa na mente de cada atleta é um grande desafio, já que estamos falando sobre o “outro nível”. Fazer perguntas é uma estratégia eficiente para conseguir identificar os atletas pelo qual nós trabalhamos, bem como aumentar as possibilidades de feedbacks que podemos dar a eles face as diferentes intervenientes do jogo, como também desenvolver as suas habilidades.

Se nos basearmos no futebol, o jogo em si é jogado em dois diferentes níveis: um primeiro na mente do jogador (jogo interior) e um outro no campo de futebol (jogo exterior). Além disso, podemos dizer que esse jogo interior também é dividido em dois: contra um adversário e contra nós mesmos.

Em se tratando de números, o atleta de futebol joga sem a posse da bola por cerca de 95 a 98% do tempo total do jogo. Para que ele se mantenha em pleno estado de concentração (foco de atenção) é necessário que ele ative o seu mindset, de maneira que esteja analisando todas as situações que ocorrem no jogo e elaborando estratégias para que ele possa se desvencilhar delas. 

O foco da sua atenção é outro fator muito importante. No futebol, é necessário percebermos e orientarmos para onde o atleta precisa manter a sua atenção (bola, espaço, adversário e companheiro). Cada equipe precisa muito mais que apenas obediência ao que foi preparado, é necessário entendimento, pessoas com atitudes próprias, inteligentes e inovadoras. Quando você tem inteligência, consegue melhores resultados. 

A maior busca sempre foi, é e será pelo aumento de desempenho individual em favor do coletivo. Em um artigo anterior eu escrevi que: “A equipe que conseguir potencializar a aplicação individual em favor do coletivo, sabendo que uma boa organização do jogo será favorecida com as individualidades também, essa equipe estará mais próxima do êxito”. Essa melhoria do desempenho individual, pela qual eu me referi, podem ocorrer de duas maneiras: pela potencialização dos aspectos físicos, técnicos e táticos dos atletas e, através da diminuição do medo, das dúvidas, da insegurança e da falta de foco.

A constatação evidente é que as equipes que obterão melhores resultados são aquelas que conseguem desenvolver melhor as habilidades dos seus atletas. Entretanto, é preciso entendermos que um percentual desse desenvolvimento ocorre nos treinamentos, outro nos jogos pois se tratam de uma experiência muito importante, e ainda nos aspectos mentais do atleta (dentro e fora do contexto do futebol). Sendo assim, o entendimento de quem joga o jogo é tão ou mais importante que o do jogo em si. 

Durante a minha experiência trabalhando na China nos anos de 2018 e 2019 (Shandong Luneng), eu percebi que alguns atletas tinham dificuldades em executar as minhas orientações em uma estratégia de bola parada. Não era por dificuldades de entendimento (idioma) e nem por que não tinham capacidade, mas por receio. Então eu passei a fazer perguntas, no lugar de dar determinações, obrigando-os a pensar o que fazer, qual a melhor decisão a tomar. O resultado foi ótimo e em pouco tempo, eles entenderam e as ações passaram a acontecer naturalmente. Mudar comportamentos não é difícil, mudar pessoas sim. Com isso eu percebi que diminuindo as interferências foi possível estimular os atletas a desenvolverem o máximo potencial deles.

Notas e Referências:
Tim Gallwey é autor de diversos livros e o criador da técnica de coaching de executivos, utilizada atualmente por várias grandes empresas, como AT&T, Apple, IBM e Coca-Cola.