Futebol: objetivo norteador ou CORE

Quem comanda e como comandam os profissionais

Dentro da gestão de um departamento de futebol podemos encontrar diversas formas de comando.

Existem os clubes que não possuem um gestor claro dentro da estrutura do departamento de futebol. Nestes clubes, pela falta de um líder que faz a interligação e coordenação de todos os subdepartamentos que compõem a estrutura de um clube de futebol, as decisões acabam sendo tomadas na intuição (geralmente de dirigentes estatutários sem experiência), ou pela figura de comando técnico (como o treinador, por exemplo).

A cooperação entre os departamentos ocorre sem um objetivo claro a médio/longo prazo. As funções de cada departamento são exercidas “per se”, para atender às demandas inerentes à prática de suas próprias atividades.

Usando os conceitos das disciplinaridades, este exemplo de clube se encaixa claramente em uma estrutura Multidisciplinar, em que não existe relação nem cooperação entre as disciplinas – ou departamentos – apesar de existir uma “temática comum”, ou em uma estrutura Pluridisciplinar, em que existe relação e cooperação entre as disciplinas. No primeiro caso não há uma liderança clara na gestão. No segundo, surge a figura de um líder inquestionável para suplantar a lacuna nas tomadas de decisões. Muitas vezes essa atribuição “cai no colo” do treinador.

Essa forma de gerir um departamento de futebol tem como foco claro o retorno técnico imediato, ou seja, a possibilidade de se conseguir o maior sucesso no menor tempo possível. O Futebol é o que norteia as ações, o que “puxa” todo o clube pra frente. É o objetivo em comum que faz com que cada departamento e cada ação tomada tenha um norte.

Por outro lado, existem os clubes que adotam, ou tentam adotar, um modelo de gestão pautado em uma definição clara de um Projeto Futebol para a agremiação. Nesta forma de gestão há uma liderança muito bem definida dentro do departamento, geralmente exercida por um gestor que possui métodos e expertise para coordenar os subdepartamentos e executar o planejamento proposto pelo clube baseado em seu Projeto Futebol.

Trazendo à tona novamente os conceitos de disciplinaridade, este modelo de gestão se encaixa em uma estrutura Interdisciplinar, em que existe uma ação coordenada entre os departamentos além da cooperação e diálogo entre eles, ou uma estrutura Transdisciplinar, em que há um “mover” de todo o departamento para que se alcance o objetivo comum como uma grande e indivisível estrutura com diversas valências.

Nesta forma de gerir, o Futebol é mais do que um objetivo norteador que direciona os esforços de todos os agentes interventores do departamento de futebol: é o CORE do clube, o seu núcleo, a razão de ser e existir. Todas as ações departamentais são tomadas de forma natural, como um corpo que, para que esteja em perfeita saúde, necessita que todos os seus membros exerçam suas funções de maneira perfeitamente coordenada. Esta coordenação das ações muitas vezes é feita de forma fluida pelo gestor, já que a ideia central é o mote de ação dos departamentos, facilitando as intervenções e eventuais correções de percurso através da execução do Projeto Futebol.

Para este que vos escreve, o modelo ideal de gestão é o último, já que necessita de um ambiente e forma de condução metodológica extremamente profissionais. Nada mais claro que esta seja a escolha de um profissional da área.

Apesar disso, entendo que a estrutura de cada clube deve ser respeitada. Seu DNA deve ser compreendido para que se obtenha o melhor resultado possível de um processo de gestão, sabendo executar as técnicas necessárias em cada experiência. Cabe sempre ao gestor se moldar e reinventar em cada oportunidade, tornando-se, assim, um profissional mais completo!

Até a próxima!