Força física e mental: A combinação perfeita para o sucesso no esporte.

Ser atleta é sinônimo de força, técnica e superação. Vencer os adversários
e os próprios limites faz parte da carreira dos grandes esportistas. Ser o
melhor entre os melhores: esse é o objetivo de quem entra numa
competição olímpica ou nos principais campeonatos nacionais e mundiais.


Não parece uma tarefa fácil do ponto de vista técnico e físico. São muitas
horas de dedicação, exercícios e treinos. Porém, tudo isso não é suficiente
para chegar ao topo do pódio. A formação de um atleta de elite também
exige preparo mental e emocional.


Um fator decisivo, que era pouco discutido, mas que, recentemente,
ganhou mais destaque. Não se trata de um tema novo, porém há ainda
quem duvide de que o estresse e problemas mentais podem derrubar um
grande esportista. A mente é como um músculo, ela precisa de treino e
técnicas para funcionar bem em situações extremas.


Isso tem ficado cada vez mais claro com os recorrentes casos de estrelas
incontestáveis do esporte que sucumbem com a pressão psicológica, a
excessiva autocobrança e o perfeccionismo. Sem contar, o medo e a
vergonha dos atletas em relatar suas fraquezas e dificuldades emocionais.


Na Alemanha, o suicídio do goleiro Roberto Enke, em novembro de 2009,
acendeu um alerta na comunidade esportiva. E logo, várias associações de
futebol do país se uniram para criar uma fundação com o nome do atleta,
um grande astro do esporte, que sofria de depressão. Desde então, a
entidade ajuda jogadores a recuperar a saúde mental e lidar com os
desafios na carreira.


Aliás, o atleta de hoje sofre uma cobrança muito maior se compararmos
com aqueles que competiam há 20 ou 30 anos. Nesta época, os jogadores
se formavam e cresciam dentro do mesmo clube. Passavam anos ali, até
se tornarem grandes ídolos do time. Em geral, era uma carreira estável.


Atualmente, o futebol é mais competitivo e exige muito dos atletas, física
e mentalmente. O período de formação do jogador foi reduzido
drasticamente e, quando ele começa a se destacar, logo já é vendido para
outro clube. Aliado a isso, esses jovens, frequentemente, têm pouca
estrutura familiar, e educação de baixa qualidade. Eles sofrem com a
cobrança para mostrar um ótimo rendimento, para serem vistos e
passarem no estreito funil do futebol profissional. Têm que superar muitos
concorrentes para agarrar as poucas oportunidades que aparecem.


A consequência disso é evidente: casos de depressão, crises de medo e
pânico, alcoolismo e problemas comportamentais têm aumentado no esporte de elite. Infelizmente, há poucos dados estatísticos sobre o tema,
o que seria essencial para desenhar estratégias eficazes para ajudar os
atletas.

Vale destacar que o apoio psicológico não deve se limitar ao trabalho de
motivação e foco para alcançar a alta performance. Isso é importante,
mas estes jovens também precisam de suporte e orientação para
enfrentar os altos e baixos da carreira, dificuldades financeiras, conflitos
familiares e problemas na vida pessoal.


Outro ponto crítico


Todo atleta deve aprender a lidar com as derrotas e a frustração para ter
uma carreira de sucesso. Não seria realista achar que os astros e estrelas
do esporte nunca perdem. Por mais que o objetivo seja excelência, o
caminho até lá é espinhoso.


O fracasso gera raiva e a decepção, são sentimentos intensos que podem
nos impulsionar ou nos prender. Para chegar à elite do esporte, o
indivíduo precisa desenvolver força e resistência mental, e deve, desde
cedo, aprender a reconhecer e aceitar seus limites físicos e psicológicos.


Saúde mental no esporte de elite


O estresse e a pressão por bons resultados não são privilégios dos atletas
de elite. Profissionais de todas as áreas sofrem com a cobrança por um
desempenho cada vez melhor. E não é à toa que os diagnósticos de
problemas mentais vêm crescendo ano após ano. A diferença está no fato
de que a carreira no esporte de elite começa muito cedo, entre a infância
e adolescência, e quando chegam ao topo, os atletas ainda são muito
jovens e imaturos emocionalmente.


De uma hora para outra, eles se tornam o centro das atenções, no
futebol, na mídia, e nas redes sociais. Começam a ser disputados pelos
clubes e seus patrocinadores em negociações milionárias. A gestão da
carreira do jovem astro fica, então, focada apenas no rendimento, nos
resultados e no seu valor de mercado. O estresse vai nas alturas.


A saúde mental do atleta, no entanto, deve estar em primeiro lugar. Mas,
nem sempre, treinadores, gerentes e supervisores têm esta percepção. O
que acaba gerando muitos problemas como transtornos alimentares,
depressão, crises de pânico e ansiedade.


O quadro de depressão, por exemplo, pode apresentar muitos sintomas
associados, como insônia, medo de sair de casa ou de dirigir, humor
instável, sentimento de tristeza sem um motivo claro e até pensamentos
suicidas, o que é assustador.

Todas essas questões se agravam quando o atleta sente vergonha e medo
de expor o que está se passando e não procura ajuda especializada.
Infelizmente, a saúde mental ainda é um tabu no esporte e em muitas
outras áreas. A sociedade, em geral, não encara um problema de saúde
mental da mesma forma que vê as outras doenças.


Quando tem uma lesão, por exemplo, o atleta não é questionado se a
lesão é verdadeira, se ele está inventando ou se ele está querendo
chamar a atenção. Falta de conhecimento e ainda há muito preconceito
em relação à saúde mental.


Vale lembrar que não é um problema exclusivo dos atletas, tanto que os
problemas afetam também gestores e a equipe técnica dos clubes. Em
todos os casos, é necessário consultar um psicólogo experiente para fazer
o diagnóstico correto e buscar o tratamento mais adequado.


Para que adianta tantos treinos se a mente é vulnerável e interiormente
você está tão fragilizado, sem energias?


É importante o psicólogo e coach mental ajudar o atleta a ter um
desempenho melhor, mas ele também deve abordar outros pontos como
esgotamento, pensamentos acelerados e a pressão sobre o atleta e a
equipe. Lesões físicas e aposentadoria são questões que frequentemente
levam o atleta a apresentar quadros de depressão.


Fator de risco: o perfeccionismo


Ser perfeccionista tem suas vantagens e desvantagens quando se fala em
alta performance no esporte. Por um lado, faz com que o lado busque
sempre se superar e alcançar resultados melhores. Mas o perfeccionismo
pode gerar um estresse tão grande, uma autocobrança muito elevada e
uma constante frustração, que acabam afetando a saúde mental.


Portanto, o atleta não deve ser tratado apenas como uma marca, um
espaço publicitário. Ele é muito mais do que isso. Corpo e mente
trabalham juntos e se um deles não estiver bem, o jogador não terá um
bom desempenho. É preciso que todos na equipe estejam atentos à saúde
mental, para identificar os sinais e oferecer ajuda, além de criar um
espaço de consciência e segurança para falar sobre o assunto e derrubar
esse tabu.


Dicas para a saúde mental


1- Prepare-se! Aqueles que se preparam intensamente para sua tarefa,
para o desafio, agirão de acordo com mais confiança.
2- Use a sugestão automática. Pense no seu objetivo e continue
dizendo a si mesmo: “Eu consigo, eu consigo!”

3- Lide com os obstáculos em sua cabeça. Se os medos ou
pensamentos negativos atrapalham seu sucesso, você deve lidar
com eles conscientemente.
4- Mantenha um diário e confie a ele todas as preocupações e medos.
A escrita ajuda a processar os pensamentos (negativos) e refletir
sobre eles com calma.
5- Encontre seus treinadores mentais pessoais. Dificilmente, existe um
atleta profissional que não dependa de um treinador mental.
6- A força reside na tranquilidade – procure o silêncio, descubra o que
te faz bem. Silêncio, ou uma música.
7- Pense na situação que você vai enfrentar e que está causando
estresse ou preocupação. Então, visualize como você deve agir para
resolver, qual a melhor saída possível. Repita esse exercício quantas
vezes for necessário, até estar confiante.