A grande Final

Não sabemos ao certo em que lugar do mundo surgiu o futebol. Na história há vários tipos de esportes praticados com a bola nos pés e com objetivos variados, porém foi na Inglaterra que as regras conhecidas atualmente por nós foram implementadas. Com sua imprevisibilidade e emoção, não demorou para o futebol se tornar o esporte mais praticado e amado do globo.

Nestes quase 180 anos desde o primeiro código unificado de regras, tivemos incontáveis gols e defesas espetaculares, tentos marcados nos acréscimos, disputas de pênaltis e todas as emoções inerentes à modalidade e que, por diversas vezes foi muito além das 4 linhas. O futebol uniu povos e nações e foi capaz de fazer o que nenhuma outra ferramenta política fosse capaz.

Muita bola rolou até 31/10/2018…dia em que sacramentou a final da Taça Libertadores da América entre nada menos do que Boca Jrs e o seu Rival histórico River Plate. De repente, tudo o que aconteceu até ali no mundo do futebol pareceu ficar pequeno. O que se esperar de uma final dessa magnitude?

Fundado em 25 de janeiro de 1901, o Club Atlético River Plate é mais velho quatro anos que o Club Atlético Boca Juniors, fundado em 3 de abril de 1905. Ambos nasceram no bairro de La Boca e compartilharam o bairro por quase 20 anos. No engatinhar dos gigantes, seus campos de jogo chegaram a ser separados por apenas uma quadra, um clássico da “rua de baixo” versus a “rua de cima”.

Durante suas trajetórias, conquistaram o país, o continente e o mundo. Não tem como negar, Boca e River dominam o futebol Argentino e juntos tem a maioria esmagadora de adeptos dentro do país – aprox. 40% da população é torcedora do Boca e 30% do River. Excetuando o Uruguai, em que Peñarol e Nacional reúnem aprox. 95% da população, não existe outro lugar no planeta com sublime concentração de uma extrema e centenária rivalidade.

Juntos, os dois tem um cartel de 10 Libertadores, 4 mundiais e nada mais nada menos do que 70 títulos da Liga Argentina.

Ao longo da história do Superclássico os rivais protagonizaram diversas batalhas históricas. Xeneizes e Millonarios (como são conhecidos os adeptos de Boca e River) puderam chorar e sorrir por muitas e muitas vezes até o encontro magno, o “Gran Finale”. Em 105 anos de rivalidade, as equipes só haviam se enfrentado em finais por duas vezes. Em 1976, pelo Campeonato Argentino e, meses antes da final épica da Libertadores, em 2018 pela Supercopa Argentina.

As equipes que engatinharam lado a lado, cresceram e se tornaram gigantes, iriam decidir pela primeira vez o maior título do continente.

Os dias que antecederam os jogos da final foram de ampla cobertura midiática e superaram qualquer outro assunto na Argentina, nem mesmo a reunião da cúpula do G20 que aconteceria em Buenos Aires conseguiu tirar o foco da grande final que teria o seu primeiro jogo disputado no dia 10/11/2018. Teria por que uma chuva torrencial no estádio do Boca que fez com que, pela primeira vez na história, uma final de Libertadores fosse adiada por questões climáticas. Eu vou além…até mesmo os “Deuses do Futebol” estavam apavorados com o que aconteceria ali, mesmo quem já havia visto tanta coisa, não estava preparado para aquela que seria a última final com jogos de ida-e-volta da Libertadores.

Jogo adiado para o dia seguinte e dessa vez a bola rolou, um jogo digno de Boca e River e de final de Libertadores, placar 2×2 e o título seria decidido no Estádio do River. Seria, porque lastimavelmente torcedores do River jogaram pedras contra o ônibus do Boca, atingindo assim alguns jogadores e fazendo com que a final tivesse de ser adiada novamente. Dessa vez para outro estádio, outro país, outro continente…o Santiago Bernabéu (estádio do Real Madrid) foi o escolhido e, 15 dias após o cancelamento da segunda partida, por volta das 19 horas em Buenos Aires chegava ao fim a maior das finais no âmbito futebolístico, o River Plate sagrou-se campeão da América após bater o rival por 3×1 na prorrogação.

Tivemos inúmeras finais com enredos de cinema, cito Palmeiras x Vasco em 2000 e Liverpool x Milan em 2005, porém, um encontro com tamanha história e rivalidade, na primeira final entre argentinos da Libertadores e que de fato foi eletrizante só tivemos uma…alguns podem não concordar, mas Boca x River foi a maior final da história do futebol.

Uma rivalidade que começou em um bairro, dividiu um país e encantou o mundo. De Di Stéfano a Maradona, do La Bombonera ao Monumental, da disputa entre as ruas até a finalíssima da Libertadores.

Que os “Deuses do futebol” nos reservem mais finais espetaculares como essa, quem sabe um dia poderemos assistir uma final de Champions League entre Barcelona x Real Madrid ou entre Brasil x Argentina decidindo uma Copa do Mundo? O futebol agradecerá!

Até mais..um abraço!